Patrimônio ambiental brasileiro
Coleção Uspiana Brasil 500 anos
Organizador: Wagner Costa Ribeiro
Imprensa Oficial/Edusp, 2003
Patrimônio ambiental – este é um campo em que o Brasil pode ser proclamado efetivamente rico. Estima-se que entre 10% e 20% das espécies animais e vegetais, e quantidade equivalente da água doce disponível no mundo, estejam por aqui. É disso que trata este livro, da forma mais ampla e abrangente: especialistas da Universidade de São Paulo das áreas de Humanidades e Ciências da Terra e da Vida foram chamados a colaborar na sua elaboração. Trata-se, assim, de uma reflexão plural que ataca o objeto de estudo, simultaneamente, pelo lado dos problemas, do passado, do presente, das perspectivas para o futuro.
Pode-se dizer com segurança que a devastação ambiental, no Brasil, começou logo a seguir ao descobrimento, tanto que o pau-brasil, nosso primeiro sucesso de exportação, logo caiu em ameaça de extinção. As novas terras foram ocupadas de forma predatória, como, aliás, se fazia em toda parte naquela época: tratava-se de recolher as riquezas possíveis, de forma rápida. Depois vieram a ocupação, o desenvolvimento dos ciclos agrícolas – com a cana de açúcar e o café, por exemplo, perdeu-se quase toda a Mata Atlântica do litoral. A industrialização dilapidou depósitos de minerais, como a bauxita, o manganês, o ferro, na maior parte usados para exportação. A modernidade, finalmente, trouxe novas e mais eficientes formas de exploração agrícola intensiva dos solos, que sofreram erosão, perderam nutrientes, exigiram adubos e defensivos para se tornarem outra vez produtivos, o que levou à poluição das águas subterrâneas.
Leis e regulamentos produzidos pelos governantes na colônia, no império e no começo da República tentaram inutilmente coibir algumas dessas práticas predatórias. O assunto só entrou, significativamente, nas preocupações das pessoas no final do século 20. O mundo chega ao século 21 empenhado em salvar o que ainda resta, e o Brasil, apesar desse passado doidivanas, é um dos raros milionários com riquezas para exibir e desfrutar.
Diz o texto de apresentação: “O descompasso entre países detentores de tecnologia e países com estoque de informação genética foi uma das razões para a articulação da ordem ambiental internacional, um conjunto de convenções que procura regular a ação humana em escala mundial para mitigar problemas ambientais (...) Com este livro, pretende-se avaliar os impactos ambientais associados à desigualdade social brasileira ao longo da história do país e apontar diretrizes para o futuro. Um futuro que já exige ações dos dirigentes do país e que alcança repercussão nacional e internacional, como nas conferências promovidas pela Organização das Nações Unidas.”
Publicado originalmente em D.O. Leitura, maio/junho de 2004.
sábado, 5 de setembro de 2009
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