Dicionário de política
Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino
Tradução de Carmem C. Varriale, Gaetano Lo Monaco, João Ferreira, Luís Guerreiro Pinto Cascais e Renzo Dini
São Paulo, Imprensa Oficial/Editora da UnB, 2004
As edições deste livro portentoso, quase duas mil páginas, em dois volumes, sucedem-se com regularidade, prova de que se mantém atual e consegue angariar sempre novos leitores. Os doutos autores que nele trabalharam – 122 mestres consagrados em diferentes matérias distribuídos por universidades espalhadas pelo mundo, sob o comando do notável pensador italiano Norberto Bobbio, auxiliado pelos colegas Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquini – dedicam-no a um leitor “não especialista, ao homem culto e aos estudantes de segundo grau e nível superior, e a todos os que lêem revistas e jornais políticos, aos que ouvem conferências e discursos, aos que participam de comícios ou que assistem a debates na televisão, dirigidos por especialistas ou políticos profissionais”.
Não sem razão, pois “a linguagem política é notoriamente ambígua” e “a maior parte dos termos usados no discurso político tem significados diversos”. Tal variedade depende “tanto do fato de muitos termos terem passado por longa série de mutações históricas – alguns termos fundamentais, tais como democracia, aristocracia, déspota e política foram-nos legados por escritores gregos –, como da circunstância de não existir até hoje uma ciência política tão rigorosa que tenha conseguido determinar e impor, de modo unívoco e universalmente aceito, o significado dos termos habitualmente mais utilizados”,
Trata-se de obra “exaustiva”, dizem ainda os autores, e isso torna mais notável a popularidade de que desfruta. A reedição, portanto, justifica-se, e parece bem oportuna, dadas as singularidades da vida política brasileira neste momento, quando um partido oposicionista tenta consolidar-se no poder, recorrendo a variados métodos para conquistar apoios e consolidar alianças, entre alguns dos seus adversários do passado, o que leva os meios de comunicação, em geral, a dedicarem a essas questões tempo e espaço acima do que seria considerável aceitável em tempos menos agitados. Por isso mesmo, essa sensação de oportunidade se estende ao campo internacional, onde conflitos e guerras se sucedem, e agora desponta a incomum necessidade de substituição de um chefe de Estado de envergadura descomunal, como o Papa.
Sobre o coordenador do trabalho escreve apropriadamente o sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, num curto prefácio a esta quinta edição: “Se a condição de intelectual com vida ativa já o recomendava, até para a identificação dos temas de real relevância, esforços enciclopédicos como a feitura do Dicionário somente puderam prosperar pela vocação multidisciplinar de Norberto Bobbio.” Um militante das soluções pacíficas, “que se opunha com contundência à lógica da dissuação nuclear, ao equilíbrio do terror”, que considerava inconsistente com todas as tentativas feitas até então para se dar um sentido à humanidade. “A Guerra Fria terminou”, lembra Fernando Henrique, “dando lugar a um conflito de fundamentalismos, que parece reclamar, para a sua superação, a mesma terapia: coordenação multilateral e uma nova ética, inspirada nos valores da paz e da democracia.”
Publicado originalmente em D.O. Leitura, 2005
sábado, 5 de setembro de 2009
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